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Ponto de vista:
Lya Luft (Veja on- line)
Um
Natal para reflexão
"No reduto de nossa casa, dos abraços sinceros, das memórias
comovidas, dos bons projetos e do derradeiro otimismo,este é um
Natal para repensar muita coisa"
Há dois Natais em cada um de nós: o que sonha e o que sofre, o que
concilia e o que corrói, o que se aflige e o que celebra, o que
descrê e o que espera, o que cobre a cabeça para não ver e o que
fala alto, claro e com fervor. Por acaso – eu, que pouco
acredito em acasos – esta coluna vai sair na véspera da
véspera de Natal: tema espinhoso, pois há os que cultuam, os que
detestam, os que ignoram, os que ficam melancólicos, e todos
precisam ser respeitados, todos no mesmo barco da alegria ou do
susto, e da geral perplexidade sobre o que fazer, como fazer,
quando começar a fazer. Fazer o quê? Refletir, mudar, gritar, amar,
comprar ou vender, esperar, talvez morrer. Escrever, no meu caso.
Sobre mim, sobre o mundo, sobre este estranho país de contrastes,
de desencontros e desencantos, de rala e rara esperança.
Não aprecio a torre de marfim da estética e da emoção, em que se
pretende que a realidade não nos diga respeito: diz respeito, sim,
pois acredito que cada cidadão é senhor, é mestre em assuntos de
seu país. Tem o doutorado da dura experiência, das contas a pagar,
do emprego a conseguir, dos líderes cínicos e decepcionantes, dos
filhos a criar, da saúde a desejar, da esperança a manter, apesar
de tudo. No território da realidade concreta, aparentemente nossa
resignação precisa começar a criar seus limites: bom presente de
Natal para cada pessoa que pensa. Bradar em vez de sussurrar; olhar
de frente em lugar de se esconder.
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Ilustração Atômica Studio
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Andamos
demais acomodados, todo mundo reclamando em voz baixa como se fosse
errado indignar-se. Sem ufanismo, que dele estou cansada, sem dizer
que este é um país rico, de gente boa e cordata, com natureza (a
que sobrou) belíssima e generosa – sem fantasiar nem botar
óculos cor-de-rosa que o momento não permite, eu me pergunto o que
anda acontecendo com a gente. Tenho medo disso que nos tornamos ou
em que estamos nos transformando, achando bonita a ignorância
eloqüente, engraçado o cinismo bem-vestido, interessante o
banditismo arrojado, normal o abismo em cuja beira nos equilibramos
– não malabaristas, mas palhaços.
Saúde, educação, cultura, estradas, ferrovias, aviação estão numa
decadência nunca vista, sem falar na honradez de nossos homens
públicos. Líderes mentem e se desmentem, acobertam-se, insultam-se,
à vista de todos se comprometem com a corrupção e os mais variados
escândalos! Tudo normal, como o império macabro da violência que
nos faz correr nas ruas feito ratos amedrontados, fechados em casa
à noite devido à guerra civil, felizes se nenhuma das pessoas que
amamos foi assaltada e morta naquele dia.
Dormimos no chão dos aeroportos, contentes quando nosso avião
afinal chega salvo ao seu destino, enquanto se fazem mais cortes
nesse setor e em muitos outros, para poder pagar o fantástico
salário de deputados e senadores: as coisas por aqui são assim
mesmo, por que se incomodar?
Tudo isso, e muito mais, acontecer com tamanha naturalidade é
péssimo sinal. Mas como nem tudo são horrores, também existem os
amigos que não nos decepcionam, os amores que nos fundamentam, os
batalhadores e os idealistas, os conciliadores que nos fazem
acreditar em harmonia mais do que em desagregação e rancor, no
futuro mais do que no duvidoso presente. Houve no público e no
pessoal realizações e até decência, e é bom lembrar disso para que
a gente recupere a vergonha, abra braços mais generosos, endireite
a espinha da dignidade e adoce a voz de todos os amores.
Para os que acreditam e os que apenas gostariam de acreditar em
alguma religião, em algumas pessoas, em alguma nobreza, em alguma
esperança, em si mesmos ou em sua família, este é um momento de
parar, pensar, escutar e enxergar dentro e além dos limites
pessoais e dos fatos com os quais corremos o perigo de nos
resignar. No reduto de nossa casa, dos abraços sinceros, das
memórias comovidas, dos bons projetos e do derradeiro otimismo,
este é um Natal para repensar muita coisa, e prestar mais atenção
no que está havendo dentro e fora de nós: indagando, de verdade, em
que pessoas estamos nos tornando, que futuro estamos preparando,
que país, que ordem, que progresso, que bem-estar, que segurança,
que esperanças criamos neste quase fim de 2006.
TEXTO 3
ÉTICA
O que
é – Conjunto de valores morais
que orienta o comportamento dos indivíduos, de um grupo social ou
de uma sociedade. Também pode ser entendido como o campo da
filosofia que reflete sobre os costumes e a
moral.
CORRUPÇÃO- É um
dos efeitos da falta de ética. No mundo político, empresarial ou
corporativo, a corrupção é chamada de crime do colarinho-branco.
Para que haja um corrupto é preciso que haja um
corruptor.
PATRIMÔNIO PÚBLICO- São os bens do estado e das entidades públicas que pertencem
a todos os cidadãos e devem ser utilizados em benefício do
interesse comum. Um indivíduo corrupto se apropria do patrimônio
público, tratando-o como patrimônio privado. Tal conduta contradiz
os valores republicanos básicos: a República pertence a todos e não
pode ser administrada para favorecer uns poucos em detrimento dos
demais.
IMPUNIDADE – Quando a ausência de punição se generaliza, a
impunidade acaba por se tornar um estímulo à corrupção. A
impunidade cria nos criminosos a expectativa de que não serão
condenados nem cumprirão pena.
(Guia do Estudante Atualidades –
África- Editora Abril)
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